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Fuji Provalue 200

Segunda-feira fui revelar na Quality-Blu um resto de filme que tinha na camera. E tive uma notícia que, à primeira vista foi triste e à segunda vista levemente assustadora.

A Fuji anunciou que descontinuará o filme que eu mais utilizo, o Fuji Provalue 200. As unidades disponíveis no mercado são as últimas remanescentes desse filme que fez tanto sucesso na linha profissional. Após essa notícia, o Cláudio (gerente da Quality)  soltou mais uma: a Fuji tem planos de descontinuar toda a linha de filmes ISO 400 e 200!

Essa notícia me impressionou, pois pensei pelo seguinte raciocínio: Se fosse para manter apenas uma linha de filmes, por que não manter o ISO 400, já que para o público amador o 400 dá os melhores resultados? E nesse mesmo instante já percebi que a resposta é simples. Na verdade é um conjunto de fatores. São eles:

- Os amadores não usam mais filmes. Já migraram para o digital a um bom tempo;

-Os profissionais não usam mais filmes. Também migraram para o digital;

-Os filmes de ISO elevado são mais caros para serem produzidos, já que possuem uma quantidade superior de sais de prata.

Pensando dessa forma, eu também manteria apenas os filmes de ISO 100 no mercado. Mas essa linha de pensamento talvez traga à tona uma outra questão, essa agora mais simples de responder:

“Se os amadores e os profissionais não utilizam mais filmes fotográficos, quem utiliza?”

Resposta fácil. Entusiastas, curiosos e “pseudoartistas hype”. Esse público não representa uma parcela considerável de consumidores que justifique a produção de uma gama tão grande de filmes.

Agora vamos a pergunta que não quer calar. Estamos caminhando para o fim da fotografia com filme?

Não! Logicamente que não. A fotografia de filme não irá acabar.

Mas também não será como ela é hoje. Todas essas facilidades de ter laboratórios perto de casa, revelação em 1 hora e filmes para vender em farmácias estão com os dias contados. E claro, o preço irá subir. E muito! O Fuji Provalue recém foi descontinuado e já é possível ver um aumento considerável no seu valor de mercado (em algumas capitais, como Brasília chegou a ter quase 100% de aumento, sendo vendido como “filme raro”).

O que podemos fazer? Esperar para ver.

Por via das dúvidas, eu já encomendei 1 caixa de provalue e uma caixa de ISO 400! Vai encher minha geladeira!

Enquanto o novo post está sendo preparado, vou postar uma outra análise feita dessa imagem pelo artista/designer/publicitário/desenhista/3d maker/grande amigo Adenio Fuchs.

Uma parte do trabalho dele pode ser conferida no sítio http://www.adenio.art.br

Lembrando que outros leitores também podem me enviar suas análises que eu postarei com o maior prazer!

Boa leitura!

Quero comentar alguns detalhes interessantes que observei na foto
em questão.
Observei por exemplo que ele dispôs 13 personagens, mais
a figura central do cristo católico. Teria algum
motivo especial para este número, sendo que o cristo bíblico
normalmente era acompanhado de 12 amigos, denominados
apóstolos? Também te pergunto as “pôses” dos personagens
parecem uma referência ao quadro da “santa ceia” de Da Vinci,
isto está certo?
Achei também interessante como ele dispôs os elementos
na imagem, fazendo dois arcos contrários. Um formado pelos
personagens e outro em cima invertido formado pela “viga” curvada
sustentada pelas colunas (figura abaixo). Elementos que nos
forçam a dirigir o olhar para a figura central.
Interessante também que atrás do “cristo” ele tenha colocado uma
pesada coluna vertical, criando um nítido contraste com o movimento
dos arcos, e barrando a fuga dos olhos do elemento central.
Existem muitas técnicas para atrair, e reter a atenção dos observadores
em um quadro e numa foto. Talvez você conheça estes métodos melhor
do que eu. Mas ainda assim vou destacar algo que eu gosto de observar
quando vejo quadros, desenhos ou fotos.
Apesar de não ser foto, mas desenho, gosto os trabalhos de um artista
Ungaro – Ted (Theodore) Kautzky (1896 – 1953). Ele era mestre em usar
“subterfúgios” para criar áreas de interesse.
Esta semana estive lendo, em outro blog (inglês) sobre uma técnica
interessante de criar o centro de interesse em um quadro, ele chamou
este método de “Windmill”, fazendo alusão a um quadro de Michellangelo.
Pois é, todo artista tem muito a dizer, e a grande maioria escapa aos
nossos sentidos. Buscar a compreensão por meio de uma análise
fria, apenas destacando técnicas, não permite a compreensão da obra,
ao contrário. Estas análises nos despertam mais perguntas, e elas sim
podem nos conduzir em uma viagem com o artista.

JesusLinhas

Para abertura do blog, resolvi fazer uma análise do trabalho de um dos principais fotógrafos de moda da atualidade, David LaChapelle. Apesar do foco de análise ser apenas em uma obra, logicamente a análise remete a todo o conjunto da obra de LaChapelle. Boa leitura!

by David LaChapelle

by David LaChapelle - Heaven to Hell

A combinação de elementos típicos de uma sociedade moderna com uma linguagem própria com referenciais no absurdo e no caos sustentam o trabalho de David LaChapelle. Tal caos, porém, é organizado de maneira tão brilhante que se torna harmonioso, quase lúdico. A disposição dos elementos “cênicos” - A referência as artes cênicas se dá pelo fato de sua metodologia de trabalho estar muito ligada a construção cênica, tanto na construção do cenário até a preparação das personagens e caracterizações – é um dos grandes destaques desse fotógrafo, onde ele consegue de maneira muito natural e sutil tornar uma cena clara e direta para o observador. Os elementos gráficos, utilizados de forma coesa e clara, remetem-nos para dentro dessa fotografia, criando uma reflexão pessoal sobre o cotidiano em que vivemos.

Seu trabalho, voltado para a Pop Art, é utilizado sobretudo para criticar com deboche a sociedade, procurando muitas vezes ridicularizar as classes sociais modernas. Neste trabalho, LaChapelle recria cenas clássicas da Bíblia – Jesus curando, fazendo milagres, tendo seus pés lavados, a santa ceia e a foto em questão, na qual Jesus seria um apaziguador. Nessas releituras, LaChapelle traz Jesus para Nova York e o situa nos subúrbios norte-americanos, localidades em que suas atitudes ainda surtem o mesmo efeito gerado a 2000 anos atrás. Apesar de a cena ser ambientada na atualidade, Jesus é caracterizado conforme o estereótipo proposto pelo catolicismo, com roupas e aparência sugestivas ao modo como se vestiam em sua época. Para reforçar essa caracterização há sempre um halo de luz difusa ao seu redor – o que faz com que Jesus mantenha sua nobreza e poder visual nas imagens. O cuidado com as luzes e brilhos dão um ar mágico e imponente, porém sempre remetendo-nos para sua realidade: na qual a associação de signos de nosso repertório imagético juntamente com os signos da fotografia tornam a fotografia cena viva e real.

Na obra de LaChapelle a composição da cena é uma peça fundamental, a partir da qual tudo é meticulosamente analisado e montado, tanto na disposição das personagens quanto nas cores utilizadas. Por esses motivos suas fotografias raramente são feitas ao acaso, pois LaChapelle prima pela produção em suas obras.
Esse trabalho – como a maioria de suas fotos – foi produzido em plano geral e com grande profundidade de campo, a fim de situar as personagens à cena e caracterizá-las. O cuidado de LaChapelle com o equilíbrio cromático é visível, ponto do qual parte sempre para imagens com níveis de contraste elevadíssimos e cores super-saturadas.

Utilizando o plano geral, a cena se desdobra a nossa frente, capturando-nos para dentro da obra, onde então nos deparamos com um reflexo de nossa própria posição dentro da sociedade. A fotografia nada mais é do que um espelho do nosso mundo. Nesse caso, entretanto, um espelho dotado de muita cor e sentimento, no qual sua principal característica no caso é a de ocultar todas as máscaras sociais existentes e escancarar a realidade sem pudor e nem vergonha, a fim de quebrar nossa relação com o “real”. O real nesse caso não é o que necessariamente estamos vendo e sim o que realmente está ocorrendo em nossas vidas, apesar de muitas vezes não sabermos ou não vermos.

Partindo dessa lógica social, a fotografia quebra nossas referências, e nos faz refletir sobre nossa posição dentro dessa sociedade caótica mostrada por LaChapelle.